![]() |
| Reprodução: Pinterest |
No ano passado, quando despretensiosamente ia começar a ler Até Você Se Render, da autora Milena Seyfriend, fui surpreendida com a dedicatória:
“E para você que se formou em Jornalismo/Comunicação e descobriu tarde demais que o glamour da profissão é para poucos: tudo vai ficar bem. Obrigada por fazer a diferença no mundo!”
E eu verdadeiramente fiquei feliz; foi como se o trecho tivesse sido escrito especialmente para mim.
Tornar-me jornalista era um sonho, mas dói saber que ele não deu certo até agora. Tenho meu diploma desde 2024 e nenhuma experiência de fato.
O mais próximo que cheguei de me sentir uma jornalista foi na inauguração do auditório da faculdade — você pode ler aqui —, quando vi de perto o Maurício de Sousa e observei como funcionava a cobertura de um evento na prática.
Foi tão incrível. Guardo com muito carinho as experiências daquela manhã de quarta-feira. Depois daquele dia, eu nunca mais vivi nada parecido.
Durante a faculdade, fiz duas entrevistas para ser estagiária, mas não fui a escolhida em nenhuma das oportunidades. Inclusive, em uma delas, o computador chegou a desligar porque encostei nos cabos sem querer, e acabei perdendo todo o meu teste.
Quase me formando, na época do estágio obrigatório, fui a única a não estagiar nenhuma vez. Fiz duas grandes reportagens para obter as aprovações: uma sobre o sistema de abastecimento de água da minha cidade (a qual nomeei Águas de Mogi, e meu orientador elogiou o meu belo tom poético) e outra sobre o Mogi Basquete.
Cheguei à conclusão de que talvez o problema seja eu. Nunca escondi o meu diagnóstico de esclerose múltipla no momento das entrevistas; acho que isso possa ter tido um grande impacto. Luto pelo acesso à informação para que os preconceitos em relação à doença sejam quebrados, mas acredito que tê-lo omitido talvez me tivesse dado oportunidades melhores.
Luto todos os dias para não ser uma pessoa frustrada em relação a isso, mas tenho o pensamento firme de que as coisas são como são. Descobri-me uma boa praticante do estoicismo, mesmo sem saber.
Eu não cheguei a conhecer o mercado de trabalho — adoeci em 2017, aos 15 anos —, mas eu gostaria muito de conhecer.
Me aventuro no marketing e como social media desde 2020, mas não é uma área pela qual sinto paixão.
Eu sempre gostei muito de contar histórias, viver coisas diferentes e quis cursar Jornalismo para estar mais próxima da paixão da minha vida: o futebol.
Até agora, não aconteceu.
Mas ainda espero a minha vez.
Admiro o sucesso dos meus colegas de classe que hoje estão exercendo a profissão, com muito carinho. Gosto de acompanhá-los pelas redes sociais.
Conversando com a minha psicóloga, sempre comento que o lugar em que eu queria estar só existe em filmes que geralmente eram exibidos na Sessão da Tarde, como De Repente 30 ou O Diabo Veste Prada. Queria estar correndo, atrasada, pelas ruas de Nova York, enquanto seguro um Frappuccino de morango do Starbucks na mão.
Tento me divertir e tornar a vida algo lúdico, porque dói não ter nenhuma ideia de como chegar onde eu gostaria.
.png)
Comentários
Postar um comentário