Te escrevi algo que você nunca vai ler

 

É verdade.


Se eu te amei, se me importei com você em algum momento da minha vida e, por qualquer motivo, nós nos afastamos, eu te escrevi algo que você nunca vai ler.


Esses dias foi aniversário de uma pessoa que foi muito importante na minha vida. Eu assisti aos stories de parabéns e fiquei pensando se mandava felicitações ou não. No fim, optei por não mandar.

Às vezes, ser adulto é sobre perder e ganhar pessoas.

As que perdi, sei que não vão voltar.


Mas, claro, existem aquelas que marcam a nossa história. Por isso, quando eu percebo que estamos nos afastando, eu tento retomar, tento voltar ao início.

E, quando não consigo, escrevo como se fosse uma despedida.


Dói bastante, mas eu entendi bem cedo que as pessoas sempre vão embora. (Inclusive, me apaixonei por essa frase nos desenhos da Peyton, em One Tree Hill.)


Poucas são as pessoas que ficam.

Que se esforçam para manter o laço, mesmo com a correria do dia a dia.


Eu odeio finais, mas alguns são necessários.

Então, não deixo que as coisas fiquem em aberto.


Eu escrevo o final.

Às vezes, choro, sorrio, sinto.


Adquiri o hábito da despedida no bloco de notas depois de não conseguir me despedir direito do meu pai, e acho que isso é algo que me faz bem.


Na infância, somos apresentados ao “felizes para sempre”.

Na vida adulta, recebemos o balde de água fria de que, na verdade, ele não existe.

Nós só paramos de acompanhar no felizes para sempre, mas depois ele se torna apenas um momento.


Por isso, eu sou tão apegada a momentos.

Momentos são especiais e dificilmente vivemos momentos repetidos.

No fim, momentos são tudo o que temos.


E, escrevendo meus finais, eternizo os momentos no meu HD mental, destacando o privilégio que foi encontrar algumas pessoas.

Mas foi, de fato, só um encontro.


Quando sinto saudade, que é certo que vou sentir, releio o que escrevi e me conforto com o que um dia eu vivi.

Foi especial, mas passou.


Alguns finais são mais fáceis de lidar que outros. Alguns eu ansiei, outros sofri muito, alguns ainda penso em como dar o ponto final…

Para mim, assim é viver.

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